Estação Carandiru

LITERATURA

Estação Carandiru é o relato, em primeira pessoa, do médico oncologista e cientista Drauzio Varella, publicado em 1999 pela editora Companhia das Letras, que acompanha a rotina da Casa Prisional de São Paulo, localizada no bairro Carandiru na zona norte da cidade. A obra aborda os acontecimentos compreendidos entre os anos de 1986 e 1994, tempo em que o médico fez um trabalho voluntário de prevenção à AIDS na referida casa de reclusão, onde tomamos conhecimento sobre questões tanto estruturais da instituição, quanto de organizações sociais internas.

Embora o tema seja sensível e passível de muitas críticas dos órgãos de direitos humanos, o autor não teve como objetivo fazer uma crítica à antiga direção da Casa, focando apenas em relatar o que por lá se passava, sem julgar servidores ou presos. De narrativa leve, oscilando entre passagens cômicas e tristes (com um final angustiante), somos apresentados aos internos e suas lutas diárias para a sobrevivência dentro de um ambiente tão hostil quanto a maior casa de detenção da América Latina. O leitor toma conhecimento dos sistemas que regem a boa convivência entre os internos: leis rígidas impostas por eles mesmos, onde caguetagem, desrespeito às visitas e má higiene pessoal e do xadrez podem ser passíveis de morte.


A linguagem usada por Drauzio é surpreendentemente simples, é acessível ao ponto dos próprios presos (ou ex-presos) poderem ler e compreender a obra, principalmente por ter a narrativa linear, uso de palavras simples e usar o vocabulário típico da Casa, dando um ar muito característico ao livro.

A leitura é rápida e dinâmica, sempre algo está acontecendo, nunca nos encontramos estáticos ou entediados durante o percurso: histórias pessoais dos internos, as travestis e suas vidas difíceis entre os homens, as epidemias de AIDS e crack que tomaram a casa em certa altura, as dificuldades que a equipe médica enfrentava, a falta de recursos, o jogo de cintura dos carcereiros, a infraestrutura decadente. Com um final de tirar o folêgo e causar  revolta no leitor, Drauzio conta, a partir dos relatos dos internos, sobre a chacina ocorrida dentro do pavilhão 9 após a rendição dos rebelados. 

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